A IMPORTÂNCIA DAS CADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO DO GOLPE DE VISTA E NA SEGURANÇA DO JOGO DE CAPOEIRA

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A IMPORTÂNCIA DAS CADEIRAS NO DESENVOLVIMENTO DO GOLPE DE VISTA E NA SEGURANÇA DO JOGO DE CAPOEIRA


 
Dedicado a Guanais e Lemos, que me fizeram aprender o mecanismo de perda de consciência, desmaio, pela hipertensão intracraniana por compressão das veias jugulares no colar-de-força.[1]

Mestre Pastinha escreveu:

2.2.31 – …"eu não enventei[2]"…

… "eu não enventei;”…

…”eu vi e achei bom”…

… “e aprendi no circo[3] de cadeiras,”…

… “para aprender o jogo de dentro…"
(77a,11-b13)

… Nós todos vimos…

… achamos bom…

… aprendemos com os mais velhos!
 

… Pastinha acentua a importância…

… da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira…

… os antigos mestres usavam obstáculos…

…. círculo de cadeiras…

…  mesas…

… ou de ambos…

… para desenvolver a agilidade…

… e “golpe de vista”

.. indispensáveis à pratica da capoeira…

… especialmente no jogo de dentro..

… que simula a luta com arma branca!

HerPast p.77

Pastinha sabiamente acentua importância da proximidade entre os parceiros no jogo de capoeira e afirma que os antigos MESTRES usavam obstáculos periféricos, circundantes, circunvizinhos…

círculos de cadeiras

mesas …

luzes apagadas…

como usávamos eu e Guamais[4] em nossos treinos secretos…

olhos vendados, além  das luzes apagadas…

como fazíamos eu e Jose Sobrinho “Zezinho” em nossos treinos de Judô!

ou ambos meios…
 

Para desenvolver as percepções extra-sensoriais como em Ioga e Artes Marciais!

Esta referência de Vicente Ferreira Pastinha ao uso de seu Mestre das cadeiras para delimitar a área de movimento ou jogo e assim desenvolver a noção de localização espacial durante o preparo técnico do capoeirista é muito importante por que revela preocupação desde os tempos antigos com a localização espacial do capoeirista dentro do ambiente do jogo.

Desta maneira o capoeirista desenvolve um sexto – sentido e adquire noção e domínio do espaço restrito de jogo, perde o medo de se aproximar do parceiro-adversário, especialmente útil no jogo-de-dentro, e extremamente importante na criação de oportunidades de contra-ataque e ou bloqueio do uso de arma-branca, seja faca, punhal, estoque, facão, navalha, tesoura ou mesmo guarda-chuva, borduna, sombrinha, cadeira, banco, cacete, cassetete, quiçá garrafa de vidro ou panela.

 Reflexo utilíssimo no corpo-a-corpo, na prevenção de impacto sobre os assistentes ou circundantes e origem da sensação de coragem, segurança, autodomínio, autoestima, calma e autoconfiança tão característica do capoeirista.

O treino individual cercado por 4, 6 ou 8 cadeiras simulando outros tantos adversários aperfeiçoa o sentido de localização espacial, avaliação de distância e golpe-vista, extremamente importantes no jogo, na luta, no trabalho, no transito e no cotidiano.
 

Nos anos quarenta (do século passado…), depois das aulas e treinos currículo, Bimba me entregava a chave para abrir a Academia no dia seguinte às 5 horas da manhã e o nosso grupo (Guanais, cabo Néri, Lemos) para um treino de briga (vale-tudo) em ambiente fechado com cacetes e armas-brancas[5].

Treino com luz  apagada, cadeiras, mesas e bancos espalhados aleatoriamente pela sala, grupo de 3 amigos íntimos…

testados pelo Tempo…

verdadeiros…

confiáveis reciprocamente,

grupo excelente para aperfeiçoamento dos reflexos de esquiva e contra-ataque…

sem acidentes… nem incidentes

pelo dominância da esquiva sobre o ataque…

sem soltar golpes a esmo…

E a lembrança de Hector Caribé a recomendar…

A saída de salto mortal para trás..

Pela janela…

Quando acuado contra a parede…

Sem outra saída…

No andar térreo…

Naturalmente!

 Lembrando também…

Os treinos de Judô como Zezinho Sobrinho para adivinhar o que outro iria fazer…

Sem a proteção do tatami

No chão de cimento do pátio da casa de

Olhos vendados…

Sem lâmpadas acesas…

E Um sempre percebia…

O que o Outro ia fazer

Era o SEXTO-SENTIDO!


 

[1] Quando eu acordava já estava deitado no chão e aprendi a sacudir o corpo e jogar o agarrador à distância… Quanta saudade, amigos!

[2] Inventei

[3] Circulo

[4] Filho de índios, meu colega de curso ginasial, órfão de pai. Deixou de estudar para trabalhar para educar os seus irmãos mais jovens. dentre os quais destaco o docente de medicina Dr. Sócrates Guanais um dos fundadores do Hospital Cardio-Pulmonar. Grande homem! Maior e Melhor Amigo! Grande Professor!

[5] Navalhas, punhais, estoques, facas e facões.



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PARTIDO DEFENSOR DO APARTHEID ANUNCIA FIM

http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI507780-EI294,00.html

Sábado, 9 de abril de 2005, 23h06 

Acessado em 10/4/2005 08:27


Ø      O Novo Partido Nacional (NPN) anunciou que vai deixar de existir na África do Sul. O grupo é o sucessor do Partido Nacional (PN) que introduziu e manteve o regime apartheid na África do Sul por mais de 40 anos.

Ø      A decisão de acabar com o NPN foi tomada após uma derrota humilhante nas últimas eleições gerais no país.

O conselho federal do NPN decidiu por 88 votos contra dois que o grupo político será desativado.

Ø      O líder do partido, Marthinus van Schalkwyk, pediu desculpas pelos anos de segregação racial sob o apartheid, o qual classificou de "um sistema baseado na injustiça".

Ex-rival

No último pleito da África do Sul, o NPN obteve apenas 2% dos votos, o equivalente a sete cadeiras no Parlamento. O resultado desfavorável levou o partido a procurar o apoio de um ex-rival, o Congresso Nacional Africano (NCA), que venceu as primeiras eleições multirraciais após o fim do apartheid.

Van Schalkwyk, que é atualmente ministro do Meio Ambiente e do Turismo, disse que o fim do partido representa a contribuição do mesmo para finalmente exterminar a divisão da alma da África do Sul.

O Partido Nacional, que precedeu o NPN, chegou ao poder em 1948, mais de três décadas após a sua formação. O grupo comandou um sistema racista e opressor até 1994, quando eleições democráticas realizadas pelo último presidente do partido, Frederik de Klerk, levaram o PN a participar de um governo de partilha. Em 1996, no entanto, o grupo se retirou do acordo e formou uma aliança com o principal partido de oposição, O Democrata, que também não deu certo.

Desde então, o NNP tem enfrentado um verdadeiro caos político. O partido deixa de existir formalmente após as eleições regionais das quais não participará.

Fonte: BBC Brasil

 


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QUE É CIDADANIA

Cidadania é liberdade com responsabilidade e civilidade
construir para os infantius [1] “…
” é dever de dos construir para os infantius uma personalidade —

digna de admiração, não devem faltar as regras da disciplina, civilidade,
do respeito às atenções, a bôa disposição, o bôm humor, a solidariedade,
a lealdade, e o amor a verdade; estes são os alicerces que darão estabilidade
à estrutura moral do ser,”…

(72b, 17-23;73a,1)

…é dever de todos…
…. legar aos nossos sucessores uma tradição…
… capaz de melhorar e equilibrar os homens..
… e a sociedade…

… “os alicerces…

… que darão estabilidade à estrutura moral do ser”…

… “ as regras da disciplina…
… civilidade …
… do respeito às atenções…<etiqueta, boas maneiras>
… a bôa disposição… <tolerância>
… o bôm humor…
… a solidariedade…
… a lealdade…
… e o amor a verdade”…

2.2.23 – … ” nos deveres, como capoeirista”…

 

“Como penso eu nos deveres, como capoeirista é fazer cogitações, reclamar uma atitude, um gesto, a cada passo uma palavra que implique no comprimento do dever, sim, sem prejudicar, a moral do seus camaradas. e nem criar causo [2] ; ninguem deve subtrair-se<furtar-se a cumprir o dever> é prejuiso , é grande a finalidade da capoeira, seja justamente essa<a obrigação> prestada ao centro, e na academia; disciplinar, é executar uma serie de obrigações,<que> fazem parte integrante do regime da propria academia; cumprir o dever é ser honesto de si mesmo<consigo>: é respeitar-se a si proprio , e agir com conciencia esclarecida; todo o dever cumprido representa o resgate de uma obrigação; é um impulso para frente no sentido da evolução; “…

 

( 73b, 9-23)

 

…sem comentários!

2.2.24 – -… “responsabilidade”…

 

… ” cada capoeiristas responde pelo que é do seu dever, sabendo as responsabilidade com elas o dever, aumentam o seu crescimento do seu saber: o amigo antes de associa-se, [3] não compromeita [4] a produzir, mais do que permita sua capacidade; dentro de suas possibilidades, não vacile, em prometer sem reservas, deve ser ao seu alcance fazer; dai vem a razão de ser privinido , e estar sempre vigilante, sempre alerta, sempre atento em seus deveres, sempre convicto de cumprir ao centro, academia, e ao seu negocio particula [5] .”

 

( 73b, 23;74a,1-10)

 

… ” cada capoeiristas responde pelo que é do seu dever”…

 

 

… a consciência da responsabilidade…

 

… e do cumprimento do dever…

 

… conduzem ao crescimento pessoal…

 

… o compromisso de cada um…

 

… deve corresponder à capacidade de cada um….

 

 

… na “ academia ” …

 

… na atividade particular… 

2.2.52 – … “o mundo é a escola”…

 

“Os capoeirista tem que aprender, o mundo é a escola que nos aprendemos, é a natureza que nos dá prazer, procuramos os elementos de bôa vontade, que ofereça a lições para o bem-esta dos nosso interesse,

 

( 80b, 20-23;81a,1)

 

2.2.56 – … o dever é ser honesto de si mesmo””…

 

…” cumprir o dever é ser honesto de si mesmo, é respeitar-se a si proprio , é agir com conciencia esclarecida; todo o dever cumprido representa o resgate de uma obrigação. um impulso para frente no sentido da evolução;”…

 

( 82a, 16-21)

 

4.6.6 – … “é a mais amavel “…

 

…”A capoeira entre as lutas é a mais amavel que existe no mundo <que> Deus designou [6] fosse puro e belo:”…

 

( 93b, 3-6)

 

 

A Escola-Parque , inaugurada em 1950, procurava oferecer à criança uma educação integral , cuidando de sua alimentação, higiene, socialização, preparação para o trabalho e para a cidadania.

 

Nesta Escola, também as artes plásticas estavam incluídas, muitas vezes sob a orientação de artistas de renome, como, por exemplo, Caribé e Mário Cravo.

 

Sua importância para o ideal da cidadania está resumida na frase de Anísio Teixeira:

 

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias.

 

Essa máquina é a da escola pública”

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[1] Infantis, em referência à juventude

[2] Caso, problema

[3] Associar-se

[4] Não se comprometa

[5] Particular

[6] Desejou, destinou

… filosofia e poesia crioulas!


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turma-de-bimba-1

A ÉTICA ACADEMIA DE MESTRE BIMBA

O componente ético dos ensinamento do Mestre  Bimba na sua “academia” estava implícito na sua pedagogia, exemplificado pelo seu comportamento e posteriormente, na década de 50, por mim explicitado à guisa de “regulamento”, divulgado em quadro na parede oposta a entrada do salão.

 

Havia naquela época uma multiplicidade de conduta consoante os universos freqüentados pelos praticantes da regional: a) conduta dentro da academia e interpares; b) relacionamento com os grupamentos de capoeira não vinculados à “regional”; e finalmente, c) comportamento em contexto social  sem conexão com a capoeira, especialmente com a regional.

 

Não podemos estudar a ética do Mestre Bimba e dos seus primeiros seguidores, por ser esta um conjunto de regras de conduta num determinado  momento histórico e pertinente a um universo específico.

 

“Read More”

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POR QUE RAMPA DO MERCADO MODELO?

Uma homenagem a Mestre Ezequiel “Ziquié”

10/04/05

Estudando e meditando sobre as riquezas históricas encerradas nos cânticos e tradições orais populares que consegui guardar na memória e no coração, os pensamentos foram se cristalizando em torno de perguntas que me afloravam ao foco da consciência…

Por que Rampa do Mercado Modelo?

Por que estivadores?

Por que marinheiros?

Por que carregadores?

Por que carroceiros?

Por que Recôncavo Baiano?

E respostas…

Os Por Quês

E outros Por Quês

Foram aos poucos despontando

E sucedendo

Como os  raios do Sol

No Amanhecer!

Os saveiros conduziam diariamente a produção do Recôncavo entre as cidades litorâneas e ribeirinhas e destas para Salvador, o porto de exportação, onde aportavam na Rampa do Mercado Modelo, na enseada de Água dos Meninos, com paradas obrigatórias ou facultativas em portos da Ilha de Itaparica e de Maré, consoante os ventos e as marés… a necessidade de descanso ou reabastecimento de água ou mantimento… outros alguma motivação imprevista…

E outras questões foram surgindo nos vai-e-vens dos pensamentos… nas gingas e nos floreios da meditação…

Por que encontramos capoeira em Nazaré das Farinhas, Cachoeira e São Felix, porém não em Muritiba?[1]

Os saveiros nas viagens para o Rio de Janeiro alcançavam Morro de São Paulo e São Jorge dos Ilhéus… Por que encontramos capoeira em Ilhéus e não em Morro de São Paulo?

Por que não localizamos capoeira em Jaguaripe,Jeribatuba (Catu)[2], São Roque, Itaparica e Ilha de Maré… Desapareceu ou não existiu?

Por que não detectamos capoeira nos resíduos de quilombo, especialmente se considerarmos a capoeira como um luta de resistência?

Por que não descobrimos capoeira em Cruz das Almas e no sertão baiano?

Mestre Ezequiel

“Ziquié” no falar do Mestre…

Angoleiro convertido á Regioná, declama ostensivamente:

Eu aprendi capoeira

Na Rampa e no Cais da Bahia[3]

Eu vim de Maré…

No saveiro de Mestre João…[4]


Das histórias que ouvi em Santo Amaro da Purificação, Cachoeira de São Felix, Jaguaripe, Itaparica e das conversas pessoais com Mestre Tiburcinho, cliente, mestre e amigo…

E…

Pela observação das rodas onde passei…

Concluí que a capoeira baiana surge inicialmente no Recôncavo Salvadorenho, provavelmente em Santo Amaro da Purificação ou Cachoeira de S. Felix, entre os trabalhadores do cais.

Nos portos encontramos embarcadiços, estivadores, carregadores, condutores de cargas em animais e veículos de tração animal, que denominamos população portuária.

Trabalhadores fortes, atléticos, afeitos a trabalhos pesados, com intervalos livres entre as tarefas, durantes os quais podem se entregarem brincadeiras, chistes, jogos, danças e folguedos similares, naturalmente acompanhados de bebericações… marafa[5]fubuia[6]que geram alegria e ousadia pela desinibição que produzem.

Pela própria natureza e cultura, os africanos e seus descendentes são propensos aos cantos e danças nos ritmos oriundos dos atabaques, acompanhados por exibições de habilidades físicas e coreográficas em que cada um procura superar os demais…

As brincadeiras assumem naturalmente o caráter de competição, cada qual buscando demonstrar superioridade de força, criatividade e inteligência sob o comando da musica a que estão habituados, envolvendo manobras e movimentos típicos do ambiente cultural da terra natal.

Acredito, portanto, que a capoeira da Bahia tenha surgido das brincadeiras, vadiações, folguedos em momentos de lazer de homens fortes, alegres, autoconfiantes e bebericantes[7]sob o signo da fraternidade e  do respeito mútuo.

A sua propagação ocorreu e continua ocorrendo espontaneamente pelo fascínio de seu ritmo, de sua musicalidade e pela impressão de vivacidade, alegria, saúde, autodomínio, habilidade, autocontrole, felicidade, autoconfiança, força, segurança e sensação de felicidade, beatitude[8], bem-aventurança transmitidas pela sua coreografia.

Ainda hoje é praticamente impossível resistir ao ritmo dos “Filhos de Gandhi”, o Ijexá, o mesmo da capoeira ou assistir uma exibição de Capoeira sem deixar de se sintonizar com o toque do berimbau, o compasso ijexá do pandeiro e de ser envolvido pela magia da melopéia da orquestra (charanga como preferia  Mestre Pastinha) e coro, deixando se transfigurar pela beleza daqueles movimentos tão naturais e ágeis, acender no imo do coração a chama do desejo de imitá-los…  procurar um Mestre e.aprender capoeira…

Por isto Pastinha cantou….

Todos pode aprendê

Generá i tambeim douto![9]

Capoeira é pior do que bexiga…

Diabolicamente contagiante[10]

A bexiga pega até pelo ar vizinho…

A Capoeira contamina à distância…

Pelas ondas sonoras do berimbau…

Que vão muito longe e…

Explodem no coração!


Aqueles mestiços culturais voltavam às senzalas… visitavam portos vizinhos… freqüentavam festas populares e até organizavam suas próprias festas e encontros, onde contaminavam os assistentes…

Assim a Capoeira se espalhou…

Como mancha de óleo pelos mares, rios e portos!

Como o vento pelas matas circundantes!

Pelas povoações!

Pelas cidades vizinhas!

Por onde houvesse gente para encantar!

E…

Finalmente surgiram as perguntas mais importantes.

Ø      Por que nas referências históricas da Capoeira do Rio de Janeiro não se descreve, nem cita a presença do berimbau, da orquestra, dos cânticos, das palmas e das rodas de capoeira?

Ø      Existe capoeira sem música?

Ø      Podemos admitir mais de um significado para capoeira?

o        Sensu latu: Movimentos e manobras de luta simulada baseados em cultura africana sem acompanhamento musical?

§         A Capoeira do Rio de Janeiro?

o        Sensu strictu: O Jogo de Capoeira propriamente dito, i.e.: Movimentos e manobras de luta simulada sob a regência de orquestra, com o berimbau como determinante da ginga, o pandeiro (com poucas soalhas[11]) como marcador do ritmo e do andamento[12] e os cânticos com versos com rima tonal ao modo iorubano.

§         A Capoeira como conhecemos e reconhecemos nos dias atuais, a Capoeira Baiana, espalhada pelo Mundo.

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Questões que merecem consideração, reflexões profundas, análise, pesquisas e estudos de parte de estudiosos de história e origem da Capoeira por abrirem mais uma área de trabalho.


[1] Zona fumageira, fonte de produto de exportação e apenas a cerca de 10 Km acima de Cachoeira de São Felix

[2] Onde existem estaleiros para saveiros.

[3] Bahia aqui é usado como sinônimo de Salvador/BA.

[4] Mestre ou Capitão é o comandante dos saveiros, no linguajar dos saveiristas baianos, haja visto Capitão Bentinho, o Mestre do Mestre tido e cantado como Capitão (Comandante) da Cia. De Navegação Bahiana no imaginário capoeirano popular baianês.

[5] Aguardente, cachaça

[6] Idem

[7] De beber + -icar.] V. t. d.   1.   Beber a goles, aos poucos: &   V. int.  2.          Beber pouco, mas freqüentemente. Dic. Aurélio

[8] [Do lat. beatitudine.]S. f.  1.     Felicidade eterna e suprema; bem-aventurança.  2.        Gozo da alma dos que se absorvem em contemplações místicas.  3. Felicidade tranqüila e serena; bem-estar. Dic. Aurélio

[9] Todos podem aprender… General e também doutor…

[10] Varíola

[11] [Do lat. vulg. *sonacula, ‘coisinhas soantes’.] S. f.  1.   Cada uma das chapas metálicas do pandeiro. Dic. Aurélio

[12] Bimba me ensinou que o pandeiro (com poucas soalhas) é o atabaque dos capoeiristas.


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110 SITES SELECIONADOS

Direitos humanos, cidadania e queixas de consumidores são temas de manifestações on-line

Protesto

MARIANA BARROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
 

1 de dezembro – contra Aids: www.aids.gov.br/diamundial
A arte da fuga – críticas políticas: aartedafuga.blogspot.com
A nova democracia – política: www.anovademocracia.com.br
Abong – ONGs: www.abong.org.br
Ação da cidadania – contra a fome: www.acaodacidadania.com.br
Ação, ética e cidadania – crianças: www.aecidadania.org.br
Acervo da luta contra a ditadura – desaparecidos e legislação: www.acervoditadura.rs.gov.br
Ágora net – educação política: www.agoranet.org.br
Amigos metroviários dos excepcionais – acessibilidade: www.ame-sp.org.br
Bloguítica – sugestões de leitura: www.bloguitica.blogspot.com
Campanha da não-violência à mulher – fundo e pesquisas: www.bemquerermulher.com.br
Campanha fuck you Bush – contra George W. Bush: www.antiweb.com.br
Campanha nacional de combate à pedofilia na internet – denúncias: www.censura.com.br
Canal kids – cidadania para crianças: www.canalkids.com.br/cidadania
Central única dos trabalhadores – políticas da central sindical: www.cut.org.br
Cidadania – artigos: www.intelecto.net/cidadania.htm
Cidadania na internet – notícias: www.cidadania.org.br
Comunismo – tipos e revoluções: www.comunismo.com.br
Contra a violência – como participar: www.contraaviolencia.org
Democracia – busca por legislação: www.democracia.com.br
DHnet – militantes e denúncias: www.dhnet.org.br
Deserdados – contracultura: br.groups.yahoo.com/group/Deserdados
E-cidadania – direitos dos idosos: e-cidadania.cosmo.com.br
Espaço Acadêmico – militância: www.espacoacademico.com.br/024/24pol.htm
Fórum Social Mundial – notícias: www.forumsocialmundial.orgbr
GLS Planet – homossexualismo: glsplanet.terra.com.br/news/direitos.htm
Grupo Brasil antispam – campanha: brasilantispam.org
Grupo gay da Bahia – direitos gays: www.ggb.org.br
IG cidadania – inclusão social: www.igcidadania.com.br
Instituto de Estudos de Direito e Cidadania – defesa da cidadania: www.iedc.org.br
Instituto Ethos – projetos sociais: www.ethos.org.br
Instituto Pólis – políticas públicas: www.polis.org.br
Luta libertária – grupo anarquista: www.lutalibertaria.cjb.net
LYMEC – juventude. Em inglês: www.lymec.org
Marxists archieve – Em inglês: www.marxists.org
Militância – socialismo. Em espanhol: militancia.org
Movimento dos Sem Universidade – pela democratização do ensino: www.msu.org.br
Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua – projetos: www.mnmmr.org.br
Movimento Sindical – links: www.sindicato.com.br
Movimento Terra, Trabalho e Liberdade – pelo socialismo no campo: www.mtl.org.br
MST – trabalhadores rurais sem-terra: www.mst.org.br
No software patents! – campanha: www.nosoftwarepatents.com/pt/m/intro/index.html
Núcleo de Estudos da Violência da USP – projetos: www.nev.prp.usp.br
Observatório social – trabalhadores: www.observatoriosocial.orgbr
Pauta social – projetos sociais: www.pautasocial.com.br
Ponto de vista – crítica política: www.pontodevista.jor.br
Portal do voluntário – onde agir: www.portaldovoluntario.orgbr
Projeto juventude – política: www.icidadania.org.br
Public Patent – Em inglês: www.pubpat.org
Rebelión – debates. Em espanhol: www.rebelion.org
Rede mulher de educação – direitos: www.redemulher.org.br
Rede nacional dos direitos humanos – contra a tortura e o racismo: www.rndh.gov.br
Rede social de justiça e direitos humanos – cartilhas e legislação: www.social.org.br
Revista Viração – para jovens: www.revistaviracao.com.br
Tabaco zero – tratamentos e notícias: www.tabacozero.net
Terra cidadania – voluntariado: cidadania.terra.com.br
Tributo à cidadania – campanha: www.tributoacidadania.org.br
Um outro olhar – aborto: www.umoutroolhar.com.br
Universia Brasil – para estudantes: www.universiabrasil.net/social/social.jsp
Vermelho – partido comunista: www.vermelho.org.br

Bem-humorados

Arnaldo Jabor – pela rádio CBN: radioclick.globo.com/cbn/comentarios/arnaldojabor.asp
Bosses we love to hate – Em inglês: www.careerknowhow.com/improvement/boss.htm
Eu hein – sátiras políticas: www.euhein.com.br
Eu odeio as páginas que odeiam alguma coisa – blogs de protesto: www.geocities.com/SunsetStrip/Stadium/8444
Globo media center – Chico Caruso: gmc.globo.com/GMC/0,,2465-p-MC17,00.html
José Simão – noticiário humorístico: www2.uol.com.br/josesimao
Jovem Pan FM – programa Pânico: www.jovempanfm.com.br/panico/blog
Manifesto anticasa da sogra – pelo fim dos spywares que invadem o micro: webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/id/2256
Manifesto maculino – exigências: www.dominiofeminino.com.br/nethumor/manifesto_masculino.htm
Manifesto não – niilista: www.nao-til.com.br/arquivo/mani-nao.htm
Michael Moore – Em inglês: www.michaelmoore.com
Millôr on-line – política e economia: www2.uol.com.br/millor
Odeio Miojo – receitas alternativas: euodeiomiojo.blogspot.com
Operação anticaca nas ruas – contra fezes de cães nas ruas: www.vidadecao.com.br/cao/index2.asp?menu=anticaca2.htm
Planeta anti-sogras – piadas e tipos: www.antisogras.hpg.ig.com.br

Direitos do consumidor

Abusar – operadoras de internet: www.abusar.org
Complaints – reclamações. Em inglês: www.complaints.com
Consultor jurídico – notícias: conjur.uol.com.br
Consumidor Brasil – dicas e denúncias: www.consumidorbrasil.com.br
E-bit – consultor para compras on-line: www.ebit.com.br
Eletronic Frontier Foundation – pela liberdade de expressão on-line. Em inglês: www.eff.org
Em defesa do consumidor – legislação: www.emdefesadoconsumidorcom.br
Eu odeio telemarketing – como livrar-se: www.odeiotelemarketing.ubbi.com.br
Fundação Procon SP – cartilha e reclamações: www.procon.sp.gov.br
Idec – casos reais: www.idec.org.br
">www.idec.org.br
Ivox – guia e opiniões: www.ivox.com.br
">www.ivox.com.br
Portal do consumidor – busca de informações: www.portaldoconsumidor.gov.br
">www.portaldoconsumidor.govbr
The Foundation for Taxpayer & Consumer Rights – Em inglês: www.consumerwatchdog.org/
">www.consumerwatchdog.org/
Webinsider – protesto dentro da lei: webinsider.uol.com.br/imprimir.php/id/2362
Quero reclamar – serviços e produtos: www.queroreclamar.com.br

Ambientais

Ban the bomb – campanha contra armas nucleares. Em inglês: www.banthebomb.org
BioTerra – educação ambiental: bioterra.blogspot.com
Campanha contra biopirataria – abaixo-assinado on-line: www.biopirataria.org
Ecology found – Em inglês: ecologyfund.com
Green consumer guide – pelo consumo sustentável. Em inglês: www.greenconsumerguide.com
Green Left – jornal radical. Em inglês: www.greenleft.org.au
Instituto Sócio-Ambiental – meio ambiente e direitos sociais: www.socioambiental.org
Jornal do Meio Ambiente – legislação, gestão ambiental e notícias: www.jornaldomeioambiente.com.br
Nuclear Policy Research Institute – contra usinas nucleares. Em inglês: www.nuclearpolicy.org
Os ambientalistas – discussão de políticas ambientais: ambientalistas.blogspot.com
Planet ark – pela redução do impacto ambiental. Em inglês: www.planetark.com
Projeto Esperança Animal – combate aos maus-tratos de animais: www.pea.org.br
Protest letters against nuclear tests – cartas enviadas por Hiroshima aos países que fazem testes nucleares. Em inglês: www.city.hiroshima.jp/shimin/heiwa/kakumenue.html
Rede das águas – proteção: www.rededasaguas.org.br
Rios vivos – campanhas: www.riosvivos.org.br
Save the whales – em defesa das baleias. Em inglês: www.savethewhales.org
SOS Mata Atlântica – preservação: www.sosmatatlantica.org.br
The nature conservacy – Em inglês: nature.org
Water conserve – uso racional da água. Em inglês: www.waterconserve.info
WWF Brasil – pela preservação: www.wwf.org.br


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O QUE É A ANISTIA INTERNACIONAL

http://www.dhnet.org.br/direitos/sip/grupos/ai/ai.html
 

31/3/2005 00:03

Acessado em 31/3/2005 00:03

Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

Milhares de pessoas em todo o mundo estão presas pelas suas convicções. Muitas estão detidas sem acusação formal ou julgamento.

A tortura e a pena de morte são largamente utilizadas. Em muitos países, homens, mulheres e crianças "desapareceram" depois de terem sido oficialmente detidos. Outras pessoas foram assassinadas sem disfarce algum de legalidade: foram "escolhidas" e mortas por agentes dos seus próprios governos.

Tais abusos, que ocorrem em países das mais diferentes ideologias, exigem uma resposta internacional. A proteção dos Direitos Humanos é uma responsabilidade universal, que transcende os limites da nacionalidade, raça e ideologia. Esta é a crença fundamental em que se baseia o trabalho da Anistia Internacional.

sumário

O nosso mandato

Objetivos

Histórico

Como nasceu

Como funciona a AI no mundo

Como obtém informações

Como obtém recursos financeiros

Fins políticos

Resultados

Ajuda aos prisioneiros

Atuação em seu próprio país

Publicações

A AI no Brasil

O nosso mandato
 

A Anistia Internacional é um movimento mundial independente e, como tal, desempenha um papel muito específico na prevenção das violações de Direitos Humanos por parte dos governos. A organização, reconhecendo que os Direitos Humanos são indivisíveis e interdependentes, trabalha pela promoção de todos eles, especificados na Declaração Universal dos Direitos do Homem e em outros tratados internacionais adotados pelas Nações Unidas, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos.

A Anistia Internacional acredita que a proteção dos Direitos Humanos é uma responsabilidade internacional. Este princípio, aceito pela ONU e por outros organismos mundiais, significa que os governos são responsáveis perante a comunidade internacional pela proteção dos direitos dos seus próprios cidadãos. Esta responsabilidade inclui a aceitação do direito que têm as organizações internacionais de questionar atitudes e expressar sua preocupação quando os direitos da cidadania são violados pelo governo de qualquer país.

Objetivos

Obter a libertação imediata e incondicional de todos os prisioneiros de consciência, assim chamadas as pessoas encarceradas apenas pelas suas convicções, cor, sexo, origem étnica, idioma ou religião, que não tenham usado ou defendido o uso da violência.

Assegurar julgamentos rápidos e justos, de acordo com as normas internacionais, para todos os prisioneiros políticos, bem como a libertação de pessoas detidas sem acusação ou julgamento.

Abolir a tortura, os maus-tratos, as execuções judiciais e  extrajudiciais e o desaparecimento forçado de pessoas.

Histórico

Após os terríveis dias da Segunda Guerra Mundial, o conjunto de países reunido nas Nações Unidas elaborou e promulgou, a 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esse documento é um código de leis, destinado a proteger os direitos de todas as pessoas em todo o mundo: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos, de qualquer raça, idioma, crença religiosa ou convicção política.

Essa Carta, que nos fala da cidadania universal, contém 30 artigos, que dizem respeito a nossos direitos econômicos, sociais e culturais, como o direito à alimentação, ao trabalho, à saúde e educação; assim como os direitos políticos, como o direito à vida, à liberdade e segurança pessoal, o direito de ir e vir, o direito à liberdade de expressão e pensamento, ao acesso à justiça, à defesa jurídica e o direito a julgamentos justos e tratamento adequado às pessoas que estão presas.

Apesar deste documento tão importante ter sido assinado por 150 nações, milhares de pessoas em todo o mundo estão presas por suas convicções.

Muitas estão detidas sem nenhuma acusação formal ou julgamento. A tortura e a pena de morte são largamente utilizadas.

Em muitos países, homens, mulheres e crianças "desapareceram", depois de detidos oficialmente.

Outras pessoas foram assassinadas, sem disfarce algum de legalidade: foram "escolhidas" e mortas por agentes de seu próprio governo.

Tais abusos – que ocorrem em países das mais diferentes ideologias – exigem uma resposta  internacional
 

A proteção dos Direitos Humanos é uma responsabilidade universal.

transcende os limites de nacionalidade, raça e ideologia.

  

Esta é a crença fundamental em que se baseia o trabalho da Anistia Internacional.
 

Como nasceu a Anistia Internacional?
 

A Anistia Internacional foi fundada pelo advogado inglês Peter Benenson.

Benenson leu uma notícia publicada na imprensa sobre dois estudantes portugueses, que haviam sido condenados a sete anos de prisão apenas por terem erguido um brinde à liberdade em um bar de Lisboa, durante a ditadura salazarista. Indignado, o advogado começou a pensar em formas de persuadir o governo português a libertar aqueles estudantes, e teve a idéia de bombardear as autoridades com cartas de protesto.

Para chamar a atenção da opinião pública sobre a situação dos presos políticos, Benenson e outros ativistas organizaram, em 1961, uma campanha com um ano de duração, a que deram o nome de "Apelo por Anistia".

 A campanha foi lançada através de um artigo intitulado "Os Prisioneiros Esquecidos", publicado em vários jornais do mundo no dia 28 de maio de 1961. Nesse artigo, pedia- se que os leitores protestassem, imparcial e pacificamente, contra o encarceramento de homens e mulheres somente porque sua ideologia ou religião não coincidia com a dos seus governantes. Essas pessoas passaram a ser chamadas de "prisioneiros de consciência", uma nova expressão acrescentada ao vocabulário humanitário internacional.

O artigo teve uma grande repercussão. Em um mês, mais de mil leitores haviam enviado cartas de apoio e ofertas de ajuda prática; também remeteram dados envolvendo casos de muitos outros prisioneiros de consciência.

Este viria a ser o motor propulsor da Anistia Internacional: a ação popular de inúmeras pessoas, "simples cidadãos" planetários.

Em conseqüência do apoio recebido, seis meses depois da publicação do seu artigo Benenson anunciou o passo seguinte.

Estava nascendo aquilo que viria a ser

a maior organização mundial de defesa dos Direitos Humanos.

Reconhecimento Internacional

Em 1977, a Anistia Internacional recebeu o Prêmio Nobel da Paz pela sua contribuição em "assegurar bases sólidas em favor da liberdade e da justiça e, portanto, a favor da paz no mundo". Por ocasião do 30º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1978, a Anistia Internacional recebeu o Prêmio dos Direitos Humanos, das Nações Unidas, por "notáveis realizações no campo dos direitos humanos".

A Anistia Internacional no Mundo

A Anistia Internacional é uma organização constituída basicamente por voluntários e amplamente democrática – está aberta à participação de qualquer pessoa que compartilhe seus princípios e preocupações sobre Direitos Humanos. Seus membros trabalham sozinhos ou reúnem-se em grupos para empreender ações e promover campanhas em favor das vítimas de violações dos Direitos Humanos. Esses homens e mulheres assumem a dignificante tarefa de salvar vidas e defender vítimas do arbítrio e da omissão dos governos. O aspecto singular do trabalho dessas pessoas, que enfatiza o caráter internacional da sua atuação em prol dos Direitos Humanos, repousa no fato de que elas trabalham sempre em favor de vítimas estrangeiras, ou seja, de indivíduos nacionais
de países que não o seu.

Vários grupos e membros individuais da Anistia Internacional em um mesmo país podem constituir uma seção nacional da organização, com estatutos, diretrizes e planos elaborados, discutidos e aprovados em assembléias gerais.

O Comitê Executivo da seção, eleito nessas mesmas assembléias, é o órgão encarregado de implementar as decisões tomadas pelos membros individuais e grupos.

A nível internacional, esta estrutura se repete. As seções reúnem-se a cada dois anos em um conselho internacional, no qual são determinadas as áreas de atuação da Anistia Internacional, suas políticas, campanhas, plano de ação e orçamento. Na mesma ocasião, é eleito o Comitê Executivo Internacional, encarregado de implementar mundialmente as
decisões tomadas no conselho.

A organização conta ainda com um centro funcional em Londres – o Secretariado Internacional -, onde, a partir de informes preparados pelo Departamento de Investigação e de estudos conduzidos por comitês especializados, são elaborados todos os documentos de informação e de campanhas distribuídos às seções, grupos e membros. À frente do Secretariado Internacional, está o secretário-geral, que atua como porta-voz da Anistia e é o responsável pela gestão do dia-a-dia da organização.

Como a AnistiaI internacional obtém informações?

A Anistia Internacional dá grande importância à precisão e à imparcialidade no relato dos fatos.

As suas atividades dependem da averiguação minuciosa das denúncias de violações dos Direitos Humanos.

O Secretariado Internacional, cuja sede é em Londres, conta com 260 funcionários de 40 nacionalidades. Mantém um Departamento de Investigação que reúne e analisa informações procedentes de diversas fontes, incluindo centenas de jornais e revistas, relatórios governamentais, transcrição de comunicados radiofônicos, relatos de advogados e de organizações humanitárias, assim como cartas de prisioneiros e de seus familiares.

A Anistia Internacional também envia missões para avaliar situações in loco, observar julgamentos, avistar-se com prisioneiros e conversar com autoridades.

A Anistia Internacional assume completa responsabilidade pelos relatórios que publica.


Como a AnistiaI internacional obtém recursos financeiros?

A Anistia Internacional depende de contribuições individuais e das doações de seus membros e simpatizantes. A independência econômica é tão vital ao seu trabalho quanto a independência política.

As diretrizes estabelecidas para aceitação de fundos são rigorosas, de modo a não comprometer a integridade dos princípios pelos quais trabalha a não limitar a sua liberdade de ação.

A quase totalidade dos recursos financeiros do movimento provém de pequenas doações individuais, das contribuições de seus membros e das campanhas locais para arrecadação  de fundos. A Anistia Internacional não pede, e nem recebe, fundos de poderes públicos.

Fins políticos

A Anistia Internacional é imparcial.

Não apóia nem se opõe a qualquer governo ou sistema político.

Não apóia nem se opõe às opiniões dos prisioneiros, cujos direitos procura defender.

A sua única preocupação diz respeito à proteção dos Direitos Humanos que estão em jogo em cada caso, independentemente da ideologia do governo ou das convicções das vítimas.

Quais são os resultados da ação da AnistiaI internacional?

Ø      São Paulo, Brasil, noite do dia 15 de fevereiro de 1973. Homens fortemente armados invadem a residência de Luiz Basílio Rossi, professor de História do Brasil na Universidade de São Paulo e, sem nenhuma explicação, levam-no, desaparecendo com ele na escuridão.

o        O caso do professor paulista, seqüestrado por agentes do governo militar no meio da noite, transformou-se em uma ação urgente da Anistia Internacional.

Através dela, a organização solicitou aos seus membros em todo o mundo que pressionassem as autoridades brasileiras para salvar o professor da tortura, de um possível "desaparecimento" ou mesmo da morte.

Ø      Maria José, mulher de Luiz Basílio, que hoje é professor da Universidade de Brasília, diz que os militares a convocaram ao quartel antes de libertarem seu marido, e disseram-lhe:

o        "Seu esposo deve ser uma pessoa muito mais importante do que pensávamos, pois recebemos cartas em seu favor de todas as partes do mundo".

Mais de vinte anos depois, Maria José continua convencida de que;

Ø      "A pressão da Anistia foi fundamental para salvar Luiz de novas torturas e de algo pior.

o        O comandante do quartel me deu a impressão de que tanto ele quanto as demais autoridades encontravam-se submetidas a uma grande pressão por parte da Anistia Internacional, pressão suficiente para fazê-los apresentar um preso, mostrá-lo, porque estavam lhe dando muita publicidade. Além disso, nos alentava saber que havia pessoas de fora do Brasil que estavam a par dos acontecimentos, se preocupavam e estavam dispostos a fazer algo.

o        Isso nos proporcionou muito consolo e esperança. Minha família e eu nos sentíamos sós e assustados. A amabilidade de pessoas desconhecidas nos ajudou enormemente".

A organização converteu-se numa "conspiração da esperança", aberta a todos aqueles que dela desejam participar, atuando na defesa da dignidade humana.


A ANISTIA INTERNACIONAL, ao longo de quase quatro décadas, já deu mostras de que:
 


Pessoas comuns podem trabalhar juntas,

independentemente das suas convicções políticas,

com o objetivo de

pôr um fim aos abusos cometidos mundo afora pelas tiranias.

 

Que ajuda concreta recebem os prisioneiros?

A Anistia Internacional procura oferecer um auxílio concreto às pessoas que ajuda. Tanto a publicidade que promove em escala internacional, como a constante remessa de apelos são importantes para a segurança e mesmo para a saúde mental das vítimas.

As missões especiais da organização têm, com frequência, a oportunidade de avistar-se com prisioneiros; muitas vezes, profissionais da saúde que fazem parte dessas missões examinam vítimas de torturas.

Os grupos médicos da Anistia Internacional asseguram um melhor tratamento aos prisioneiros e, depois que eles são soltos, auxiliam na sua reabilitação. A constituição de um fundo financeiro permite enviar alimentos, roupas e outros tipos de ajuda, tanto para os prisioneiros como para suas famílias.

Como os membros da AI atuam em seu próprio país?

Os membros da Anistia Internacional trabalham muito por seus próprios países. Recebem denúncias de violações e as encaminham ao Secretariado Internacional para investigação, fazem pressão sobre seus governos pela elaboração e aprovação de leis avançadas no campo da cidadania, e promovem programas permanentes de educação para os direitos humanos junto a crianças, jovens, educadores, lideranças comunitárias e forças de segurança pública.

Publicações

As publicações da Anistia Internacional dão acesso a informações novas (quase sempre inéditas) a respeito de violações dos direitos humanos.

Boletim Informativo

É um relato mensal e atualizado das atividades do movimento. Apresenta resumos das missões especiais, dados sobre presos políticos e informes fidedignos sobre tortura e execuções.

Fornece informações imparciais aos militantes dos direitos humanos e conta, entre seus leitores, com jornalistas, líderes políticos, médicos, advogados e outros profissionais.

Relatório Anual

Este relatório fornece estudos, país por país, realizados pela AI na sua luta contra a prisão política, a tortura e a pena de morte em todo o mundo.

Trata da situação dos direitos humanos em pelo menos uma centena de países.

Além dessas publicações, a AI publica outros documentos e dossiês, sobre países ou acontecimentos específicos, em inglês, francês e castelhano.

Para adquiri-los, entre em contato conosco



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COMENTÁRIOS DE UMA HOLANDESA SOBRE O BRASIL

Encaminhado por vgradin@uol.com.br
Acessado em
24/3/2005 11:17

Redação/Editoração/Formatação modificadas por AADF

 

1.      Os brasileiros acham que o mundo todo presta, menos o Brasil.

1.1.   Realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.

2.      Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos

2.1.    No Exterior eles maximizam os positivos,

2.2.   No Brasil se maximizam os negativos.

3.      Aqui na Holanda, os resultados das eleições demoram horrores por que não há nada automatizado.

3.1.   Só existe uma companhia telefônica e pasmem!…

3.1.1.      Se você ligar reclamando do serviço, corre o risco de ter seu telefone temporariamente desconectado.

4.      Nos Estados Unidos e na Europa, ninguém tem o hábito de enrolar o sanduíche em um guardanapo, ou de lavar as mãos antes de comer.

4.1.   Nas padarias, feiras e açougues europeus, os atendentes recebem o dinheiro e

4.1.1.      Com a mesma mão suja entregam o pão ou a carne.

5.      Em Londres, existe um lugar famosíssimo que vende batatas fritas enroladas em folhas de jornal e tem fila na porta!

6.      Na Europa, não-fumante é minoria.

6.1.   Se pedir mesa de não-fumante, o garçom ri na sua cara, por que não existe.

6.1.1.      Fumam até em elevador.

7.      Em Paris, os garçons são conhecidos por seu mau humor e grosseria

7.1.   Qualquer garçom de botequim no Brasil podia ir pra lá dar aulas de "Como conquistar o Cliente".

8.      Você sabe como as grandes potências fazem para destruir um povo?

8.1.   Impõem suas crenças e cultura.

8.1.1.      Se você parar para observar, em todo filme dos EUA a bandeira nacional aparece geralmente na hora em que estamos mais emocionados.

9.      Vocês têm uma língua que, apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa, é chamada de língua portuguesa[1]

9.1.   Que as empresas de software a chamam de português brasileiro[2], por que não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da Língua Portuguesa.

Os brasileiros são vitimas de vários crimes contra a pátria, crenças, cultura, língua, etc…

 

razões para resgatar suas raízes culturais[3]

Os brasileiros mais esclarecidos sabem que têm muitas se orgulharem de suas raízes culturais:

  1. O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e de outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.
  2. O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.
  3. Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.
  4. Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral TRE, estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações.
    1. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.
  5. Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautas brasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.
  6. No Brasil, há 14 fábricas de veículos instaladas e outras 4 se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.
  7. Das crianças e adolescentes entre 7 a 14 anos, 97,3% estão estudando.
  8. O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.
  9. Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.
  10. Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO-9000, maior número entre os países em desenvolvimento.

10.1No México, são apenas 300 empresas e

10.1.1    265 na Argentina.

  1. O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos.

 

Por que vocês têm esse vício de só falar mal do Brasil?

Por que não dizem:

1.      Que o mercado editorial de livros é maior do que o da Itália, com mais de 50 mil títulos novos a cada ano?

2.      Que têm o mais moderno sistema bancário do planeta?

3.      Que suas agências de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

4.      Que são o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

5.      Que são a terceira maior democracia do mundo?

6.      Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados?

7.      Que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforços para atendê-los bem?

8.      Que são um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando?

 

É!

O Brasil é um país abençoado!

 

Bendito este povo

que possui a magia de unir todas as raças

e

todos os credos!

 

Bendito este povo

que sabe entender todos os sotaques!

 

Bendito este povo

que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente!

 

Bendita seja

querida Pátria chamada Brasil!

 

por favor

Divulgue esta mensagem para o máximo de pessoas que você puder, assim talvez consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro que, ao ler estas palavras, se orgulhará de ser BRASILEIRO!



[1] Grifo AADF

[2] Idem

[3] Os dados são da Antropos Consulting


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A IMPORTÂNCIA DO TRANSE CAPOEIRANO NO JOGO DE CAPOEIRA DA BAHIA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.
Os registros históricos, científicos e religiosos de condições de bilocação, teletransporte, telecinesia, materializações e desmaterializações, bem como os estudos de física subatômica, nos vem atraindo a atenção para o efeito dos sons e dos ritmos sonoros sobre os níveis e estados de consciência, bem como a correspondência entre os mesmos e as manifestações motora e comportamentais daqueles sob a sua influência.
É notória a influência da música sobre o estado de humor das pessoas, basta lembrar a tristeza do toque de silêncio, a ternura da Ave-Maria, a agitação do Olodum e dos trios elétricos, os movimentos suaves do balé no "Lago do Cisne".
É evidente que os movimentos induzido pelo "reagge" são diferentes daqueles do samba, da valsa, do cancã ou do foxblue. Sem falar da marcha forçada sob o rufar dos tambores; da tranqüilidade do silêncio; da irritação pelos ruídos; do pânico ao bramir dos elefantes, do rugir do tigre, do estrondo das trovoadas; da sensação de bem estar e conforto trazida pelo ruflar da brisa suave na folhas…
A cultura africana encontramos o uso de música, ritmo e cânticos como gerenciadores, coordenadores, estimuladores de atividades comunitárias como pesca, caça, plantio, etc.
O candomblé oferece-nos uma variedade de toques de atabaques, com diversos ritmos e andamentos, capazes de desencadearem manifestações motoras padronizadas sob categorias de orixás.
É conveniente estudar as associações de toques, ritmos e andamentos com os padrões de comportamentos dos orixás e personalidades dos "filhos de santo" para melhor entendermos a influência dos toques, ritmos e andamentos nos desenvolvimento do jogo de capoeira, consoante a variedade de temperamentos e personalidades dos capoeiristas.
O exame das fotografias de Pierre Fatumbi Verger, de cenas de candomblé colhidas na África, documenta a identidade daqueles movimentos durante o transe dos orixás, que manifestam a atividade gerada pelos toques e ritmos musicais do candomblé e destes da capoeira.
É conveniente lembrar a associação dos estados de humor com as expressões faciais e posturas do corpo para compreendermos melhor as repercussões das modificações de estado de consciência e as manifestações motoras conseqüentes.
Todos reconhecemos os ombros caídos do desânimo, o olhar de tristeza, a vivacidade dos movimentos de alegria, a expressão corporal do animal prestes a atacar, etc.
Quantos outros quadros poderíamos citar?
Portanto, se a música pode alterar o estado de ânimo e as suas manifestações motoras estáticas e dinâmicas, forçosamente teremos que concluir que o andamento, ritmo, palmas e cantos também modificam o comportamento dos capoeiristas durante o jogo.

INFLUÊNCIA DO ARQUÉTIPO COMPORTAMENTAL

Ante um mesmo toque, ritmo e andamento, os diversos arquétipos manifestam sua identidade de modo particular, especifico para cada entidade comportamental (com nuanças especiais, intrínsecas a cada ser e cada momento histórico) de modo que o comportamento é praticamente imprevisível a cada instante, porém com um fluxo natural, espontâneo, ingênito, inato… instintivo como dizia Bimba.
Assim é o próprio Bimba conhecia o fato e afirmava "é o jeitcho dêle", permitindo que cada um jogasse capoeira com suas características pessoais.
Fato muito notório em certos capoeiristas de movimentos muito lentos, porém dotados de grande mobilidade articular e elasticidade, como Prof. Hélio Ramos, "Cascavel," Eziquiel "Jiquié", "Caveirinha", entre tantos. Assim é que "Atenilo" (jocosamente conhecido como "Relâmpago") um dos mais antigos dos alunos do Mestre, jamais modificou seu estilo tardo, lerdo, ingênuo, de praticar a capoeira.
Entretanto, ainda hoje não consigo reconhecer ou identificar os vários arquétipos de capoeiristas, mas posso perceber de modo vago, as semelhanças que se repetem independentemente de mestres, momento histórico e localização geográfica.
Assim é que venho detectando similitude do que chamamos de "jogo" (estilo pessoal, jeito particular de jogar) em alunos de diferentes mestres e em regiões diferentes, i.e., encontrando "jogos" parecidos com alguns dos companheiros de meus tempos antigos em locais diversos, como em Natal/RN, Goiânia/GO, etc.
Fato mais surpreendente foi ver, recentemente, na Academia de Mestre João Pequeno de Pastinha, aparecer um rapaz, cujo nome e mestre não consegui identificar, cerca de 17 anos, negro, alto, longilíneo; pescoço fino, elástico e forte; com um jogo incrivelmente semelhante ao do meu Mestre (Bimba), a ponto de me sugerir a sua reincarnação.

TOQUES PACÍFICOS E TOQUES DE GUERRA

Os vários toques, ritmos, andamentos e cânticos de candomblé associam-se a modificações de estados de consciência (transe de orixás) específicos de cada arquétipo. Sendo o estado de transe provocado pela adequação, sinergia, sintonia, harmonia, da música com o arquétipo (sensibilidade do ente sob seu campo energético ou vibratório).
Assim é que uma pessoa, sujeita aos diversos tipos de vibrações orfeônicas em campo sonoro desta natureza, poderá permanecer indiferente a vários padrões orfeônicos ou exteriorizar sua sensibilidade por manifestações motoras ou psicológicas em algum momento ou padrão, com o qual seu arquétipo se harmonize.
Consoante o tipo sonoro, pacífico, belicoso, calmo, agitado, lento, vivo, moderado, rápido, a entidade em sinergia manifestará sua sintonia por movimentos calmos, majestosos, vivos, violentos, guerreiros, etc.
Dentre os toques calmos destaca-se o ijexá, pela paz, alegria, felicidade e requebro a que se associa, razão pela qual permite os movimentos do samba de roda, do afoxé, batuque e capoeira.
A importância atribuída pelo nosso Mestre ao toque era tal que o compelia a usar apenas a musica do berimbau (tocado pelo próprio), sem pandeiro, para que os aprendizes fixassem o ritmo-melodia em toda sua plenitude. A exclusão de todo e qualquer outro instrumento que não berimbau e pandeiro da orquestra também decorria desta premissa.
Freqüentemente, quando os alunos jogavam com muito açodamento e velocidade durante um toque de "banguela" o Mestre resmungava:

"Tô disperdiçandu minha banguela!
"Só merecem mesmu a cavalaria!"
E…
"virava" para o toque mais duro e bruto da "regional"…
impiedosamente mais adequado para os embrutecidos…
insensíveis e afobados.

O CAMPO ENERGÉTICO
DA ORQUESTRA, CANTO, PALMAS E JOGO

O capoeirista, como todos os demais participantes duma roda de capoeira, está encerrado num campo energético, com o qual interage e portanto sujeito a todos os seus fatores em atividade
Reflete, portanto, não só seu estado pessoal, porém aquele do complexo energético da roda, sofrendo a influência de todo o conjunto.
Toda a excitação ambiental envolve os jogadores e transtorna a condução do espetáculo, o qual poderá evoluir para um circo romano em toda sua barbárie.
Razão pela qual, a assistência do jogo da capoeira, antigamente, nas festas de largo, assistia silenciosa e respeitadora, como numa cerimonia religiosa, o desenrolar do jogo de capoeira, procurando guardar os detalhes de cada um dos lances à procura da descoberta do mais habilidoso, elegante, malicioso, inteligente, destro dentre os participantes.
O silêncio e a paz ambiental propiciam a melhor percepção da mensagem orfeônica, o desenvolvimento do transe capoeirano e portanto, o desenrolar do jogo.
As palmas, introduzidas pelo Mestre Bimba para enfatizar a participação da assistência e esquentar o ritmo, alcançam atualmente intensidade tal, que não mais permitem ouvir o toque do berimbau e muitas vezes, sequer os cânticos, desnaturando a capoeira no seu ponto mais nobre, a musicalidade, fonte do transe, ponto capital do jogo.
O atabaque, formalmente condenado pelo Mestre Bimba, durante todo o tempo em que acompanhei a sua rota, foi introduzido pelo Mestre Pastinha e ulteriormente usado pelos grupos folclóricos, a partir de Camisa Roxa, Acordeom, Itapoan, etc. para enfatizar a "africanidade" original. Tocado por quem de direito, suave e discretamente, como pelas orquestras de Mestre Pastinha e seus descendentes; conhecedores dos arcanos, fundamentos, segredos musicais africanos, marca o andamento e acompanha o toque do berimbau, instrumento-rei da capoeira, ao qual deve acompanhar e jamais suplantar, obscurecer.
Em mão desabilitadas, como ocorre na rodas da chamada regional atual, torna-se arauto de ritmo guerreiro e acarretam um transe violento, que vem matando, ferindo, lesando impiedosamente os seus praticantes, desde que provoca um transe agressivo, belicosos, guerreiro, desenfreado e deve portanto ser proscrito em nome da legitimidade da capoeira e da segurança dos seus praticantes.
O agogô e o , são excelentes marcadores de compasso, indispensáveis nas orquestras de candomblé, embora não aceitos pelo Bimba, talvez por terem sido introduzidos por Pastinha, enriquecem as charangas dos seguidores do estilo de Mestre Pastinha e ajudam (e muito!) a manter a constância do andamento do toque.
O reco-reco, também introduzido pelo Mestre Pastinha, nos parece inócuo, sem maior expressão musical, dispensável, salvo para manter a tradição do estilo.
A viola, hoje em desuso, de ausência lamentada pelo Mestre Pastinha em seus manuscritos, também encontrada no samba de roda, nos indica a origem comum da capoeira e do samba, como indicamos em nossos escritos sobre a família musical áfrico-brasileira.
O pandeiro, com redução dos guizos com recomendado pelo Mestre Bimba, marca o compasso e mantém a constância do andamento quando em mãos habilitadas. É comum no entanto que os mais afoitos (ou despreparados?) acelerem o ritmo ou se afastem do toque do berimbau, desde que não havendo treinamento adequado (ensaio) como fazem os descendentes de Mestre Pastinha ou responsável pela direção da orquestra ou charanga (fiscal no dizer de Mestre Pastinha) é comum alguém se apropriar indevidamente do manuseio deste instrumento.
Mestre Bimba dizia que "O pandeiro é o atabaque do capoeirista".
O berimbau é o instrumento-rei da capoeira, vez que somente o seu aparecimento na rodas de capoeira (antigamente citadas apenas como " capoeira" pelo próprio Mestre Pastinha, algumas vezes referidas como "capoeira de Fulano de Tal") é que marca o surgimento da capoeira como a reconhecemos atualmente, a capoeira da Bahia, seja o estilo "angola" seja o "regional".
Torna-se portanto, indispensável ao bom desenvolvimento do jogo que seu toque predomine no ambiente, mantendo a uniformidade do ritmo e o entrosamento entre os parceiros duma "volta" ou "jogo", sem o qual fatalmente existirão os desencontros e a violência.

TEXTOS CORRELATOS

ESTADO DE CONSCIÊNCIA MODIFICADO (TRANSE CAPOEIRANO)

 Sob a influência do campo energético desenvolvido pelo ritmo-melodia ijexá e pelo ritual da capoeira, o seu praticante alcança um estado modificado de consciência em que o SER se comporta como parte integrante do conjunto harmonioso em se encontra inserido naquele momento.
 O capoeirista deixando de perceber a si mesmo como individualidade consciente, fusionando-se ao ambiente em que se desenvolve o jogo de capoeira. Passando a agir como parte integrante do quadro ambiental em desenvolvimento. Procedendo como se conhecesse ou apercebesse simultaneamente passado, presente e futuro (tudo que ocorreu, ocorre e ocorrerá a seguir) e se ajustando natural, insensível e instantaneamente ao processo atual.
Decanio Filho, A. A. – in Fundamentos da capoeira (texto publicado em Capoeira da Bahia Online para download). 

BERIMBAU – A LIGAÇÏ ENTRE O MANIFESTO E O INVISÍVEL

O capoeirista para jogar capoeira não precisa de conhecer a história e a técnica da capoeira, por que o ritmo/melodia põe o ouvinte diretamente em sintonia com a "capoeira" abstrata, que abrange a fonte etérea dos movimentos, os paradigmas de jogos, os arquétipos de capoeiristas e talvez com a própria "tradição". Por este motivo, poderemos aprender por ver, ouvir e dançar… como "Totônio de Maré" o fez no cais do porto de Salvador/BA.
"Itapoan" perguntou a "Maré" como aprendera capoeira e este respondeu:

"Vendo os outros jogarem. Gostei, entrei na roda e joguei!"

Conforme assisti em gravação VHS do acervo do Mestre Itapoan, em casa do mesmo.
E "Vovô Capoeira" fez o mesmo, aos 84 anos de idade, na roda de Mestre Canelão em Natal/RN.
Assim é que, aos poucos a conjugação da música com os movimentos relaxados vai orientando o capoeirista no caminho do transe que o conduzirá diretamente à fonte da capoeira, na face invisível da realidade, que não depende dos sentidos corpóreos.

COMPORTAMENTO HUMANO, VIBRAÇÃO SONORA E RITMO.

Em Ioga percebemos a importância dos mantras…
os gregos antigos atribuíram ao Logos o poder de organizar o Caos…
no Gênesis aprendemos a força do Verbo capaz de criar o Universo e a Vida…
… na África Antiga não foi diferente!

Os africanos ao divinizarem os seus ancestrais e cultua-los com ritmos e toques diferentes vinculados ou representativos de seus comportamentos, descobriram categorias fundamentais subjacentes ao nível de consciência, independentes de culturas e religiões, os arquétipos humanos, que denominaram de orixás.
O "SER" exposto às vibrações sonoras ritmadas oriundas dos atabaques entra em harmonia com as mesmas e passa a manifestar em movimentos rituais a sua consonância.
Tudo se passa como se o conteúdo musical dos toques de candomblé fosse aprofundando o nível vibracional do sistema nervoso central, especialmente do cérebro (tido como sede da consciência) e alcançando os níveis correspondentes ao arquétipo individual. Chegando a toldar a consciência e levando a um estado transicional em que o "SER" passa a manifestar, em movimentos rituais involuntários, atributos do arquétipo, através circuitos de reverberação medulo-espinhais como que gravados geneticamente na estrutura do seu sistema nervoso central.
Não é indispensável o conhecimento da doutrina e ritual do candomblé, bem como de componente genético africano para a sintonia com o ritmo do orixá correspondente, vez que já assistimos à chamada "incorporação" de entidades africanas em europeus em primeiro contacto com "exibição" de música de candomblé, portanto, fora do contexto religioso. Durante o tempo em que funcionei como "apresentador" do "show folclórico" de Mestre Bimba observei que alguns assistentes entravam em consonância ou harmonia com um determinado toque, não se deixando influenciar por outros, o que atribuí à correspondência orgânica ao arquétipo daquela pessoa, ao modo de categoria de comportamento em nível subconsciente.
Na capoeira, o ritmo ijexá, especialmente tocado pelo berimbau, conduz o ser humano a um nível vibratório, dos sistemas neuro-endócrino e motor, capaz de manifestar, de modo espontâneo e natural, padrões de comportamento representativos da personalidade de cada Ser em toda sua plenitude neuro-psico-cultural, integrando componentes genéticos, anatômicos, fisiológicos, culturais e experiências vivenciadas anteriormente, quiçá inclusive no momento.
Todos os capoeiristas conhecem o transe capoeirano, embora nem todos disto se apercebam, um estado de extrema euforia, e de integração ou acoplamento a outra ou outras personalidades participantes do mesmo evento, conduzindo a execução de atos acima da capacidade considerada como ‘normal".
Trata-se dum estado transitório, em que não há perda total de consciência, porém existe uma liberação de movimentos reflexos, exaltação do potencial e ampliação do campo de influência vital de cada "SER".
É interessante registrar que em outros membros da "família cultural da capoeira" (samba de roda, maculelê, afoxé, frevo, entre outros) encontramos estados transicionais assemelhados, em que os personagens ultrapassam suas limitações "normais". De outro modo não assistiríamos a idosos desfilando em "escola de samba" ou saracoteando em frevo…
Assim cada capoeirista desenvolve um estilo pessoal, representativo do seu "EU", manifestado de maneira imprevisível a cada jogo e a cada instante de cada jogo.
Consoante o arquétipo de cada praticante ou mestre, o momento histórico vivenciado, o contexto em que está se desenvolvendo, a capoeira pode assumir aspectos multifários, lúdicos, coreográficos, esportivos, competitivos, belicosos, educativos, corretivos, terapêuticos, etc.
Do mesmo modo e pelos mesmos motivos, cada tocador de berimbau manifesta a sua personalidade na afinação do instrumento, ritmo, andamento musical, impostação vocal e conteúdo do cântico.
Razões semelhantes criam a identidade de cada roda, a multiplicidade de estilos e impõe a alegria e a liberdade de criação como fundamentos da capoeira.
Por ser a própria Liberdade e a Felicidade de cada "SER" a capoeira não cabe, não pode ser enclausurada, em regulamentos e conceitos estanques, nem prisioneira de interesses mesquinhos, comerciais ou de outra natureza.
A capoeira oferece um gama infinito de representações motoras , comportamentais e musicais; de aplicações terapêuticas, pedagógicas, marciais e esportivas; além do aperfeiçoamento físico, mental e comportamental de cada praticante.
Cada um de nós cria uma capoeira pessoal, transitória e mutável, evolutiva, processual, como todos os valores humanos e poderá ser imitada, jamais reproduzida em clones, como produto industrial de fôrma, idêntico em todos detalhes.
É interessante o estudo do simbolismo dos constituintes da personalidade humana na arte iorubana que indica no mínimo a noção de níveis de consciência, pois entre os povos iorubanos a consciência (personalidade exterior) é representada pela coroa (ile ori), enquanto a personalidade íntima (ori inu) correspondente ao (subconsciente+inconsciente) é simbolizado pelo ibori, uma pequenasaliência no ponto mais alto da coroa.
Angelo A. Decanio Filhoo – Falando em capoeira, Coleção S. Salomão, CEPAC, Salvador/BA, pg: 51


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