QUEIXADA, MEIA LUA DE FRENTE E ARMADA SOLTA

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QUEIXADA, MEIA LUA DE FRENTE E ARMADA SOLTA


Na seqüência fundamental de ensino de Mestre Bimba encontramos agrupados estes três movimentos que apresentam um traço comum: o deslocamento em circulo dum membro inferior com outro conservando o apoio no solo.
Movimentos utilizam principalmente os músculo pelvi-trocantéricos e o controle do equilíbrio.
Há nos três movimentos o deslocamento do membro inferior que deverá atingir o objetivo aos 90o, porque a partir deste ângulo o pé começa a se afastar do alvo por motivos óbvios.
Na meia-lua de frente e na queixada, o fulcro do giro é a articulação do fêmur com a bacia, conservando a postura de frente (sem movimento giratório do eixo corporal) sendo prudente retornar imediatamente o membro inferior ativo ao solo após os 90o para não romper a continuidade do gingado e manter a guarda.
Considerando que o envelhecimento dos animais se faz sentir de maneira muito especial na junção pelvifemoral e nos órgãos da bacia, além da importância deste músculos na marcha e no equilíbrio em ortóstase, acreditamos que seja de grande importância seu desenvolvimento na mantença da aptidão física na terceira idade.
O giro rápido da armada-solta funciona tambem como um exercício para os canais semicirculares, pela mobilização da endolinfa no interior destes dutos, propiciando um instrumento para prevenção das tonturas, freqüentes nesta fase da vida.
Por todos estes motivos é que adotamos a seqüência básica, fundamental, de ensino, de Mestre Bimba, ao lado do gingado, como fundamento do método ideal de manutenção da aptidão física.



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MOVIMENTOS DE ESQUIVA

… no fundo …
… no fundo…
… o movimento mais importante na capoeira é a esquiva…

… por que permite ao capoeirista. sobreviver incólume…

… aos ataque e armadilhas do adversário…
… seja no jogo…
….seja na vida…
… quer na vadiação…
… quer na briga…

por que durante o ataque adversário abre a guarda e se expõe ao contra-ataque…

… por que a esquiva traz no seu bojo o contra-ataque…

… e o próprio ataque…
… deve carregar escondida a esquiva…
…para prevenir uma surpresa…

… UMA QUESTÃO DE VIDA OU MORTE!
… por que…
como disse o Bimba a Damião…
"… em briga de bode…
… um fode…
… outro se fode!… "
… por tudo isto é que Mestre Valdemar da Paixão cantava…
"Meu cumpadi amarri u bodi…
… qu’eu tambeinh amarru u meu


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MESTRE DE CAPOEIRA E COMPORTAMENTO DO ALUNO

De "Decanio" para "Golfinho"

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Na apreciação da capoeira como modelador do caráter do aluno adolescente, a advertência do Dr. Benício Boida de Andrade, médico, capoeirista e pai dum jovem capoeirist, nos propõe a análise da escolha da academia ou escola de capoeira, consequentemente do mestre, professor ou instrutor, a quem delegar a responsabilidade de modelar o caráter do adolescente e avaliar o impacto desta decisão no futuro comportamento do discípulo.
A presença dos familiares, ou simplesmente de adultos sensatos, no ambiente de ensino e prática da capoeira, é um fator de suma importância no combate à violência e às drogas nos meios juvenis, com reflexo na própria sociedade a longo prazo.
O contexto social em que se insere a capoeira certamente influenciará o seu comportamento (da capoeira) naquele instante e determinará sua rumo.Obviamente o capoeirista, por estar inserido no contexto social, sofre uma pressão externa no sentido de se comportar consoante os padrões, parâmetros ou paradigmas vigentes na época.
Num período como o atual, em que as regras de comportamento estão sob o signo da violência, da vantagem pessoal imediata e inescrupulosa, da impunidade, da corrupção de costumes e valores primários, a capoeira tende a acompanhar o equacionamento genérico da sociedade e portanto, a incluir a violência e agressividade como componentes da matéria oferecida ao público.
Somente quem vivenciou, contribuindo, direta e indiretamente, como eu, a transformação do primitivo processo lúdico. capoeira como jogo, brincadeira ou vadiação de portuários no estilo de luta regional moderna, poderá apreciar a importância, num determinado momento histórico, do processo dialético que involve a sociedade, o ensino da capoeira e o comportamento,na deerminação do futuro do jovem capoeirista.
Assim é que assisti a luta regional baiana, primariamente um jogo de esquiva e aproveitamento das oportunidade de contra-ataques a curta distância, progressivamente transfigurar-se num exibição de seqüências de movimentos acrobáticos e de ataque, sem visão de objetivo ou alvo, realizados a uma distância maior que o alcance golpes ou dos movimentos executados, ao modo da exibição simultânea de dois participantes distintos sob um fundo musical ensurdecedor.
Os participantes aparentemente não têm noção do perigo envolvido nesta prática, julgando-se protegidos pelo distanciamento maior e portanto, à salvo da violência implícita dos movimentos do companheiro de luta.
Entretanto como os dois ocupantes do mesmo espaço geográfico, apesar de separados por u’a distância supostamente segura, podem entra em rota de colisão por simples coincidência temporo-espacial e consequentemente, sujeitos a lesões, de maior ou menor gravidade de acordo com a violência do impacto, variável consoante a força viva do movimento agressor, a postura inicial do atletas atingido, o local atingido, as condições dinâmicas no momento do impacto, no local atingido e no solo ao término da queda.
A ocorrência sinistra que poderá levar à morte ou produzir seqüelas, incapacitantes ou não, para as atividades desportivas ou vida civil.
Nos tempos atuais a capoeira vem sofrendo uma divulgação explosiva, sem sempre benfazeja, dada a profissionalização da figura da figura carismática do Mestre, outrora concedida pelo consenso dos seus pares e da comunidade, hoje decorrente de titulação em moldes acadêmicos ou por autodeterminação.
A figura do mestre atrelado ao carrossel do mercantilismo o conduz fatalmente:

à prolongação do aprendizado, mantendo assim a renda durante um prazo maior,
a fragmentação do ensino da capoeira (uma atividade global como a dança),
sujeitando-o aos apetites e impulsões dos alunos, regidos por normas competitivas e violentas, limitando seu poder educativo.

A sujeição do ensino da capoeira à Universidade, pela sua vinculação ao desporto oficial, trouxe a valorização excessiva do currículo, em detrimento da proficiência na pratica da nossa "arte-e-manha", exigindo mais "papo" que "pernas", travestindo um artista do "jogo de cintura" num papagaio colorido de professor, subjugando o mestre de capoeira a um regime didático pedagógico de valor discutível e historicamente inoperante em nosso país.
O título de Mestre de Capoeira só deverá ser outorgado pelo consenso duma assembléia de mestres e da comunidade onde se insere sua atividade, pois além da habilitação técnica, teremos que avaliar sua conduta moral, seu poder de liderança e potencial didático-pedagógico, resguardando assim os adolescentes de adotarem padrões éticos incompatíveis com os valores ideais do convívio social.Numa academia que prega a "valentia" e o poderio dos "golpes mortais", o adolescente adotará tais parâmetros pelo restante de sua vida.
Numa academia iluminada pela humildade do Mestre, aquecida pelo espirito da parceria e pelo bom-senso; que aconselha a esquiva antes que o confronto, a avaliação crítica da sua própria força e as conseqüências de cada movimento, o aluno só aprenderá a evitar posições e situações de risco, improvisando reflexa e instintivamente soluções e "saídas" que assegurem sua integridade física e respeitem aqueloutra do seu parceiro.
Recomenda-se portanto, que a família não entregue levianamente uma jóia preciosa como um adolescente a incúria dum propugnador de violência e belicosidade, ou mesmo a mestre de boa qualificação, sem acompanhar e apoia-lo, avaliando sempre o seu crescimento interior e as modificações de sua conduta, numa prospeção do futuro cidadão.
Convém lembrar que, por ser primariamente uma dança guerreira, o jogo da capoeira da Bahia é uma forja onde se funde o caráter em modelos de prudência, coragem, respeito mútuo, gentileza, parceria e sobretudo, de auto-estima e autoconfiança, cujo foco de irradiação é a projeção da figura do Mestre.


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AS AFIRMAÇÕES CONTRADITÓRIAS DOS ALUNOS DE BIMBA

Todos estão certos!
Todos estão errados!

As palavras de Bimba devem sempre serem analisadas dentro do contexto, com seus componentes temporal (do momento), social (as pessoas envolvidas) e pessoais de Bimba (humor, antipatia, dissimulação, engodo, etc.).

Os conceitos, definições e nomenclatura usados pelo Mestre variaram muito no tempo e no espaço.

Para entender Bimba é indispensável a convivência com os acontecimentos, se possível, além de estudar e situar o fato no ambiente do momento em que ocorreu, raciocinar e então concluir…

Quando mal humorado, por antipatia ao interlocutor, por pressa ou ou simplesmente desatenção, o Mestre truncava ou trocava a resposta, além de que muitas vezes respondia propositadamente de modo incorreto, para não revelar o que não queria, ou não devia, a quem não merecia ou não convinha.

Só assim podemos entender a informação de que o toque de Santa Maria fosse o hino da capoeira, como se acaso houvesse algum…. ou a negação do uso da Cavalaria como toque de jogo duro e restrição do seu emprego a um toque de alerta…

As listas de golpes e as regras de prática afixadas nas paredes da "academia" também mudavam muito…

Profundamente interessado na origem da capoeira, como todos iniciantes da sua prática, sempre ouvi de Bimba que esta era uma luta guerreira africana, especificamente dos escravos provenientes de Angola, dada a tradição de valentia dos mesmos.

Desde meus primeiros tempos na roda de Bimba comecei a pesquisar a relação entre o candomblé e outros fenômenos culturais africanos, porquanto aquele me parecia a origem dos demais.

A grandiosidade da Natureza, a extrema dependência do Homem dos seus recursos e de suas mutações, levam ao culto dos fenômenos naturais e dos integrantes das paisagens, animais, vegetais e seres inanimados, aos quais a humanidade empresta poderes, inteligência e vontade à sua semelhança.

É notória a associação da religião com todas as atividades humanas nas sociedades primitivas, sobretudo com a música, o ritmo e a dança, manifestações primárias da Personalidade.

Entre os africanos, a unidade social repousa sobre ritmo e melodia.
A percussão e o canto unem os indivíduos e criam a unidade do grupo, coordenando os trabalhos comunitários, as festas e o culto dos Senhores Invisíveis, aos quais a Humanidade atribui o comando dos fenômenos naturais.

Assim o Homem reflete na Natureza os mesmos sentimentos e poderes que esta lhe impõe pela grandiosidade de suas forças.
Nos sistemas culturais africanos, talvez os mais antigos do atual ciclo vital, o candomblé é o fulcro em torno do qual giram as demais atividades humanas, religiosas, produtivas e sentimentais (festivas ou funerárias), não cabendo exceção à capoeira.

Bimba acreditava e propagava, com o apoio de Sisnando, a origem guerreira da capoeira, reflexo da belicosidade de ambos, porém estranhamente não conhecia terminologia africana específica da capoeira.
Durante todos os anos em que gozei da intimidade familiar e acadêmica do Mestre não observei aproximação da prática da capoeira com os rituais religiosos, sendo a mesma uma atividade profana mais associada às libações alcoólicas que aos cultos religiosos, como o candomblé.

Até à festa da casa de Camilo, em novembro de 1946, não houve exibição conjunta de candomblé, samba e capoeira; porém o lucro propiciada pela demonstração para os neurologistas e psiquiatras em congresso "encheu os olhos"(e os bolsos…) do Mestre, que adotou prazerosamente a nova fonte de renda.
Esta é a origem da associação desenvolvida posteriormente pelo Mestre no Sul da capoeira com os costumes de terreiro de candomblé… para atrair os turistas…

Como o Mestre pretendia usar o candomblé como fonte de renda adicional começou a introduzir a prática de seus rituais em associação com a capoeira, como o ato de incensar do ambiente antes de jogar capoeira. Provavelmente procurando trazer os assistentes para a consulta de Ifá, a adivinhatória pelos búzios…

O Salve introduzido por Mestre Senna como saudação foi adotado, apesar do Mestre me haver sugerido os termos "Xuba" ou "Axé" de origem africanas quando da ocasião dos estudos para o ante-projeto de regulamentação esportiva da capoeira.
A propósito, Itapoan informa que o "salve" foi sugerido por André Lacé

Os exemplos são muitos e se repetem através o decorrer das gerações que se sucederam e das múltiplas oportunidades de convívio.
Jesus Assuero me informou que Bimba lhe dissera que seu pai (do Mestre) era quem dava "sartu " na boca de caixote de sabão, enquanto a mim fora dito pelo próprio, em ocasião anterior, que esta habilidade pertencera ao Mestre Bentinho!
Ezequiel afirma que Bimba intitulo o toque de "Sta.Maria" como o "hino" da regional e que "cavalaria" não se prestava para o jogo … usava-se apenas como aviso…

Os exemplos e citações seriam infinitos e enfadonhos… resta apenas apreciar e selecionar cuidadosamente os que nos parecerem consentâneos e coerentes com a lógica, a história, a tradição e se enquadram no contexto atual, abandonando as questiúnculas e discussões estéreis.


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REGIONAL, ANGOLA E IUNA

A importância que Mestre Bimba emprestava ao "jogo" (componente lúdico) da capoeira é expressa pela obrigatoriedade dos "formados" executarem o jogo da Iuna como confirmação de sua qualificação como capoeirista.
Devemos realçar que o Bimba criou um método de ensino rápido, dinâmico e eficiente para os desprovidos da herança cultural dos africanos.
O aprendizado da capoeira obedecia a uma ordem natural:

  1. seqüência fundamental ou de ensino;
  2. seqüência de balões;
  3. acoplamento dos movimentos fundamentais à dinâmica dos toques do berimbau;
  4. treinamento dos movimentos e prática sob o toque do berimbau (sem acompanhamento de  cantos, palmas ou de outro qualquer fonte sonora, para que o aluno guardasse toda atenção ao comando da dinâmica corporal pelo ritmo-melodia do berimbau, que indica os momentos de ataque e assim ajusta os movimentos dos parceiro em lide;
  5. formatura;
  6. acesso livre e gratuito à prática em qualquer local de jogo de capoeira regido pelo Mestre Bimba, especialmente os treinos secretos; participação nas aulas do Mestre com guias ou contramestres; ressalvando-se os cursos de especializado em que o formado se apresentava como discípulo de nova categoria; direitos a que se acrescentava a obrigação de participar de todo jogo de Iuna em que estivesse presente.

Surge então o jogo de Iuna como galardão de todo capoeirista formado pelo Mestre Bimba, o seu diploma de formado exibido pelos movimentos coreográficos do jogo em baixo, comprovação de sua habilitação.
Destaca-se então a importância:

  • do balão aplicado, não combinado previamente como no esquete;
  • do jogo em baixo (prova de aptidão física, habilidade, esportividade e respeito ao ritual;
  • da demonstração de controle neuro-muscular, de perfeição da técnica e dos reflexos, além da obediência estrita ao ritual do jogo de capoeira.

Pelo que entendemos que a obrigatoriedade do "jogo de iuna" é a demonstração de que o praticante da Luta Regional Baiana era um capoeirista habil e capacitado para uso, quando indispensável, dos recursos da LRB em defesa da sua integridade física ou da sua honra. Assim sendo, a sua prática na roda é o retorno às suas legítimas raízes, o jogo de capoeira, conhecido atualmente como capoeira de angola, desde a introdução desta terminologia pelo Venerando Mestre Pastinha.


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BIMBA E A RASTEIRA

Todos os mestres cantam
"Baraúna caiu!"
"Quanto mais eu!"
"Quanto mais eu!"

Bimba
Meu Mestre
Bem me dizia
Negativa, rasteira e queda fazem parte do jogo de capoeira.
A negativa é o preparo para cair…
com segurança e elegância!
O capoeirista pode cair…
sem se machucar, como o gato!
nem sujar a roupa!
macio feito flor de algodão!
FEIO É CAIR DE BUNDA!


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LESÕES TRAUMÁTICAS DURANTE A PRÁTICAS DA CAPOEIRA

Durante todo o período em que pratiquei a capoeira na antiga roda de Bimba e freqüentei aquelas de Valdemar e de Pastinha, não observei sequer um caso de lesão de articulação do joelho ou de coluna vertebral.
Atualmente venho tomando conhecimento de acidentes freqüentes comprometendo joelhos e coluna vertebral entre os praticantes da "regional".
Apesar da enorme difusão da capoeira e conseqüente aumento da população de praticantes, capaz, na opinião de alguns, de justificar o crescimento estatístico de acidentes e lesões esportivas, acredito que seja conveniente advertir os jovens iniciantes e sobretudo, os mestres e instrutores dos perigos envolvidos no estilo contemporâneo da regional, especialmente na capoeira acrobática.
Conhecendo a ocorrência lamentável de vários casos de acidentes fatais, sinto-me obrigado, na qualidade médico, ex-atleta, capoeirista, pai e sobretudo, de admirador irrestrito da juventude, a analisar as razões de tais fatos, vez que desconheço casos similares durante a prática da "angola".
Partindo da premissa de inexistência de acidentes tão graves durante o aprendizado e prática nas fases de criação e consolidação da regional ou seja, sob o controle direto de Bimba, responsável pela integridade física dos "meninos" da classe dominante de nossa terra, vejo-me conduzido logicamente à pesquisa de elementos desencadeantes entre as modificações implantadas no ritual, no sistema e no método de ensino pelos mestres contemporâneos.
Comparando as imagens que guardo, na memória e no coração, dos jogos que assisti e pratiquei durante minha juventude, descubro quatro diferenças fundamentais, que comentaremos a seguir:

  • Aceleração exagerada no ritmo e no andamento dos toques.
  • Modificação no gingado.
  • Ausência de movimentos de floreio.
  • Afastamento dos parceiros do jogo.
  • Expressão facial e dinâmica corporal dos participantes.

RITMO E ANDAMENTO

Entre outras modificações introduzidas hodiernamente na orquestra, musicas e cânticos, o abafamento do som do berimbau pelos uso inadequado do atabaque e do ruído pelo acompanhamento mal conduzido das palmas, a aceleração exagerada do andamento e do ritmo dos toques geram movimentos excessivamente rápidos, sem possibilidade de controle mental e de acompanhamento pelo parceiro. Cujos movimentos individuais, desordenados, descontrolados, não se encaixam, nem correspondem àqueles do companheiro e portanto são capazes de produzirem lesões no parceiro e/ou no próprio autor, principalmente nos joelhos e na coluna vertebral, sem falar nas conseqüências dos impactos diretos.

GINGADO

Durante o perído de criação da regional o gingado era curto (inclusive o de Bimba, lembra-me "Itapoan"), com balanceio do centro de gravidade do corpo humano (CGC) , localizado no interior da bacia, aproximadamente um pouco abaixo do umbigo, no meio da linha que une os pontos mais altos da crista ilíaca, sem deslocar o tronco para trás e mantendo a coluna vertebral aproximadamente na vertical que une os dois pés.
Bimba não admitia a fuga para trás, que elimina a possibilidade de contra-ataque imediato, aconselhando a esquiva em rotação ou giro lateral, desviando o corpo da linha de impacto do movimento de ataque, reduzindo a área exposta e criando a oportunidade para contra-atacar instantaneamente o flanco exposto do adversário.
O afastamento excessivo dos pés aumenta a carga estática nos pontos de apoio no solo pelo braço de alavanca criado pela maior distância entre estes. Basta lembrar que para aumentar a base os lutadores abem as pernas e baixam a bunda. Nesta posição entretanto é mais difícil o uso dos membros inferiores para o contra-ataque. Em caso do afastamento para trás, a inclinação do tronco para diante coloca todo o peso do corpo sobre o ponto de apoio anterior, impedindo o uso deste membro para ataque, por motivos óbvios; além de reduzir o espaço de movimentação da esquiva. A inclinação do tronco para trás desloca o peso para o ponto de apoio posterior forçado a flexão da perna sobre o pé, criando uma hiperextensão da massa muscular da face posterior da perna (do triceps sural), propiciando lesões do tendão de Aquiles. Enquanto o deslocamento do tronco para trás concentra o peso corpóreo no calcanhar do pé apoiado posteriormente produzindo uma extensão reflexa do joelho correspondente e da coluna vertebral, sobrecarregando a massa muscular posterior da perna, impedindo a mobilização rápida do membro de apoio posterior e a esquiva para trás, além de criar condições mecânicas a instalação de lesões mio-ligamento-articulares.

MOVIMENTOS DE FLOREIO

Os movimentos de floreio, além de desviarem a atenção do adversário e obrigá-lo a adotar posição adequada para o encaixe dos golpes de ataque, procuram manter uma permanente varredura das áreas e pontos fracos do praticante.

Em capoeira joga melhor quem engana mais!

O floreio é uma processo mentiroso, uma pantomima que esconde a verdadeira mensagem do simulador e procura conduzir o parceiro a um movimento falho, que permita o encaixe do movimento de subjugação ou vitoria do mais hábil.
Embora o floreio mais comum e mais rico seja praticado com os membros superiores., um bom capoeirista pode enganar com o olhar, com a expressão facial, com um grito, com a simulação duma dor ou duma fuga, duma falsa abertura na guarda, ad infinitum… aproveitando para embelezar a sua coreografia e mostrar suas habilidades aos presentes.
O floreio, ponto mais alto da exibição de habilidade, demonstra o domínio da técnica, da arte, do corpo e da mente… até daqueles do parceiro que se rende ao seu fascínio mágico, deixado-se enredar nas armadilhas coreográficas, paralisar pela incerteza do modo de proceder para corresponder ao inesperado e ao desconhecido!

DISTÂNCIA ENTRE OS PARCEIROS

O abuso dos golpes de mãos e cotovelos, a falta de flexibilidade de cintura, os ataques fora do comando do berimbau, o medo de ser atingido por um golpe (criado da falta de esquiva e do gingado defeituoso, ambos fruto da preocupação constante em soltar os golpes), obrigam ao afastamento do "lutadores" até uma distância aparentemente segura (julgada fora do alcance dos braços e pernas do oponente) e às fugas para trás. O afastamento maior entre os participantes leva aos passos largos e longos (de retorno ou de fuga) e impede o jogo de dentro, que só pode ser praticado a curta distância (dentro do alcance dos braços). Perde-se assim a oportunidade exercitar a defesa contra arma branca o emprego da mesma simultaneamente desaparece a chance da prática do abafamento (defesa contra saque de armas de qualquer natureza) e do emprego do floreio.

EXPRESSÃO FACIAL E DINÂMICA CORPORAL

Antigamente a expressão facial dos praticantes e da assistência era prazerosa, calma, sorridente, traduzindo júbilo, embriagues pela felicidade,… frutos do estado de espírito desenvolvidos pelo ritmo-melodia da orquestra e alegria dos cânticos, ao lado da confiança nos seus recursos de esquiva defesa.
Atualmente a face crispada, os punhos cerrados, a palidez e o suor frio do nervosismo ante a violência presuntiva da luta, manifestam a forte tensão mental e exaltação emocional. Medo? Agressividade? Apreensão? Em qualquer caso a avaliação é negativa. Perde-se o efeito da paz interior. Advém a hipertensão arterial, decorrente do desequilíbrio emocional, sobrecarrega os sistemas circulatório e nervoso.
Saltos, despropositados e desorientados no tempo e no espaço, acompanhados de torções, contorções, giros, deslocamentos, parafusos… propiciam desequilíbrios, quedas inesperadas e desprotegidas, luxações, fratura… alijando ou matando.
A modificação do gingado, o desaparecimento da esquiva, do floreio, das manobras táticas, da coreografia a dois, da parceria (desconfiada… porém confiante em si!) dá lugar à exibição de movimentos individuais despropositados, descoordenados, a ataques inoportunos, cegos, sem alvo, sem direção, sem finalidade de defesa ou contra-ataque. Aparentemente cada qual procurando se manter fora do alcance do outro, na expectativa do momento em que possa em aparente segurança, desencadear uma série de golpes rápidos, violentos e afastar-se imediatamente para uma distância em que não possa ser molestado.
As "tomadas" ou "compras" de jogo desautorizadas pelo arbitro, algumas vezes simultâneas (até de 3 ou 4 atletas!), apressadas, intempestivas, oferecem oportunidade para ser atingido involuntariamente ou alcançar um ou mais companheiros, na roda ou na assistência, como já vimos ocorrer

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As considerações acima nos levam a sugerir as seguintes modificações técnicas e táticas.

  • Arrefecimento do ritmo e do andamento dos toques, das palmas e dos cânticos.
  • Abolição do uso do atabaque ou abrandamento dos seus toque, afinação adequada do instrumento e seleção dos percussionistas.
  • Lembrar que o pandeiro com redução dos guizos representa na orquestra de capoeira o papel do atabaque e do agogô como marcadores do compasso. Os instrumentos usados antigamente nas rodas de capoeiras eram de fácil condução… (era e ainda é, muito difícil conduzir o atabaque em transporte coletivo.
  • Corrigir o gingado, a aumentando a rapidez das esquivas (descendentes e giratórias) e contra-ataque.
  • Usar floreios e manobras táticas para encobrir seus verdadeiros objetivos e intenções.
  • Manter o parceiro ao alcance das mãos e consequentemente, dos pés e da cabeça.
  • Evitar movimentos de ataque sem objetivo. Todo golpe deve encaixar no ponto desprotegido no momento exato.
  • Coibir os saltos giratório e movimentos repetidos, seqüências automatizadas.
  • Usar o apito para controlar o início, e interromper e terminar os jogos.
  • Entregar a direção orquestra ao mestre de charanga.
  • Não permitir as tomadas ou compras de jogo sem autorização do árbitro e interrupção do jogo em andamento.
  • Não permitir decoração de qualquer natureza no interior na área de jogo.
  • Delimitar a área de jogo de capoeira com uma circunferência exterior de 4,0 M de diâmetro, envolvendo um círculo com 3,5 M de diâmetro.
  • Marcar os limites exteriores com faixas de 0,10 M de largura, em cores contrastantes com o piso e preencher o pequeno círculo com a mesma coloração.
  • Durante os treinos limitar a prática à área interno (3,5 M de diâmetro para forçar a aproximação dos parceiros.
  • O corredor entre os círculos exteriores é destinado à circulação dos juizes auxiliares o do instrutor.
  • O praticante que ultrapassar a área circular anterior por três (3) vezes sofrerá desclassificação.
  • Durante os treinos os instrutor deverá insistir em manter os alunos jogando na área interior.

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